http://www.youtube.com/watch?v=w4hLCl0oZEo
Este vídeo foi postado pelo economista liberal Rodrigo Constantino. Polêmico, incisivo e intolerante que só, esse jovem senhor parece falar do alto de uma torre de marfim perdida em algum ponto entre qualquer um dos países ditos desenvolvidos. A pérola de sua retórica é de que em vez dos países pobres, diga-se América Latina e África ficarem culpando os ricos e colonialistas, que tratem de trabalhar e escolherem o melhor para si. Esse moço ataca mordazmente as políticas de ações afirmativas, cutuca o Estado regulador, vocifera contra o socialismo. Bem, vejam e sintam.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A Procuradora do DF e as Cotas
Abaixo, link para entrevista concedida pela procuradora Roberta Kaufmann ao Jornal de Brasília, retirado do blog "No Race". Em seguida o breve comentário que fiz sobre os argumentos ali expostos.
http://noracebr.blogspot.com/2009/11/entrevista-no-jornal-de-brasilia.html
Com licença leitores e organizadores desse blog. Será que vamos continuar discutindo a questão racial com esses parâmetros "científicos" ou percentuais pra sempre? Ora, desde quando, no Brasil, é a herança genética relevante para qualificar uma pessoa? O que significa dizer que Neguinho da Beija Flor é 67% europeu? Não significa - venia sra. procuradora Kauffmann - nada ou muito pouco. Talvez quem sabe uma curiosidade para rechear revistas de vôo. Pergunte ao Neguinho e pergunte a quem está em torno dele; mais, pergunte, faça uma enquete Brasil afora e dirão que o Neguinho é negro, mesmo que ele supostamente venha a apresentar o tal índice em sua carteira de identidade, mais ainda, mesmo que jure de pé juntos que é caucasiano, ahã... Ou seja, quando aceitarão que esses critérios geneticamente científicos não exprimem a realidade sócio-econômica e cultural do Brasil? Se a proposta é lançarmos mão dos índices percentuais, imagino que os dados levantados pelo IPEA ou pelo IBGE são mais interessantes para uma análise de nossa questão racial. Acho louvável haver espaço para manifestação das ideias opositoras, pois este debate nos remete inevitavelmente a lições de sociologia brasileira sentida na carne, seja "na rua, na chuva, na fazenda". É um grande aprendizado. Porém acredito que os argumentos dos anti-cotas não são convincentes para além dos muros bem fechados das academias de ciências e das fábricas de produção de festins jornalísticos.
http://noracebr.blogspot.com/2009/11/entrevista-no-jornal-de-brasilia.html
Com licença leitores e organizadores desse blog. Será que vamos continuar discutindo a questão racial com esses parâmetros "científicos" ou percentuais pra sempre? Ora, desde quando, no Brasil, é a herança genética relevante para qualificar uma pessoa? O que significa dizer que Neguinho da Beija Flor é 67% europeu? Não significa - venia sra. procuradora Kauffmann - nada ou muito pouco. Talvez quem sabe uma curiosidade para rechear revistas de vôo. Pergunte ao Neguinho e pergunte a quem está em torno dele; mais, pergunte, faça uma enquete Brasil afora e dirão que o Neguinho é negro, mesmo que ele supostamente venha a apresentar o tal índice em sua carteira de identidade, mais ainda, mesmo que jure de pé juntos que é caucasiano, ahã... Ou seja, quando aceitarão que esses critérios geneticamente científicos não exprimem a realidade sócio-econômica e cultural do Brasil? Se a proposta é lançarmos mão dos índices percentuais, imagino que os dados levantados pelo IPEA ou pelo IBGE são mais interessantes para uma análise de nossa questão racial. Acho louvável haver espaço para manifestação das ideias opositoras, pois este debate nos remete inevitavelmente a lições de sociologia brasileira sentida na carne, seja "na rua, na chuva, na fazenda". É um grande aprendizado. Porém acredito que os argumentos dos anti-cotas não são convincentes para além dos muros bem fechados das academias de ciências e das fábricas de produção de festins jornalísticos.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
segunda-feira, 10 de março de 2008
Madrugada vai embora
Noite adentro rapidinho
Zune longe o som de uma viola
Como se ouvisse um radinho
Rompe o dia em alento
Sem terço, reza ou benzeção
Cantilena, seresta ou sacramento
Que nos chame a atenção
Chega a tarde sem demora
Com pressa e prontidão
Criançada volta da escola
No horizonte a multidão
Eis a noite em grande estilo
Cintilando brilhantes no céu
Eu cá penso aqui mô filho
O que faço eu? palavras ao léu?
Noite adentro rapidinho
Zune longe o som de uma viola
Como se ouvisse um radinho
Rompe o dia em alento
Sem terço, reza ou benzeção
Cantilena, seresta ou sacramento
Que nos chame a atenção
Chega a tarde sem demora
Com pressa e prontidão
Criançada volta da escola
No horizonte a multidão
Eis a noite em grande estilo
Cintilando brilhantes no céu
Eu cá penso aqui mô filho
O que faço eu? palavras ao léu?
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Alguém viu o Eclipse?
Haviam me dito da Lua
Astro-Rainha
Que mira o Rei Sol
De longe em dia de Eclipse
E acompanha seus passos
Escondidinha, escondidinha...
Disseram que a Terra atravessaria seu caminho
E a Lua escureceria de ciúmes
Mas ninguém viu essa novela
Pois jorrou muita água na Capital
O Céu, nervoso, chorara de apreensão...
Astro-Rainha
Que mira o Rei Sol
De longe em dia de Eclipse
E acompanha seus passos
Escondidinha, escondidinha...
Disseram que a Terra atravessaria seu caminho
E a Lua escureceria de ciúmes
Mas ninguém viu essa novela
Pois jorrou muita água na Capital
O Céu, nervoso, chorara de apreensão...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Linea inalámbrica como metáfora para a intuição.
Ôpa, tamos aí novamente. Gente, esse assunto de linea inalambrica depois que a gente começa a levá-lo a sério é muito interessante mesmo. Intuí uma outra metáfora para esse negócio: o próprio fenômeno da intuição. Isso mesmo. Vejamos bem um exemplo.
Estava eu no trabalho conversando com um colega -- o digníssimo filósofo do futuro Daniel BC (que tem nome de MC, mas é pop-antenado em psicooldelias outras). Comentávamos sobre o atual escândalo sobre as relações duvidosas entre o reitor da UnB e a Finatec (assunto por si só indigesto e que não merece maiores desdobramentos nesse espaço, já que o próprio Jornal Nacional fez o favor de colocar em seu massacrante ventilador). Não sei por que cargas d´água chegamos a uma discussão sobre o "estado de exceção". Segundo me lembro inalambricamente o que o colega falou, esse conceito se refere a uma lei ou norma que possui aspectos que podem anular ou contradizer a existência dela própria, ou seja, que se confunde em seus termos ou que serve para privilegiar interesses nem sempre os mais dignos e idôneos. Não precisa dizer que isso no Brasil é algo raríssimo... Um exemplo: a carta divulgada pelo reitor e pela assessoria jurídica da Finatec informando que uma norma interna, assinada pelo próprio Ilustríssimo, prevê que cabe àquela Fundação cuidar de algumas despesas do Reitor. Já que havia isso previsto normativamente, não era ilegal. E não sendo ilegal, era passível de contra-argumentação, etc.
Lembrei-me imediatamente de um espetáculo teatral que havia visto: "A alma imoral" (http://www.almaimoral.com/), interpretado por Clarice Niskier e baseada no ensaio do rabino Nilton Bonder. Uma das teses principais desse texto magnífico e que me fez chorar é a distância interpretativa entre o "bom" e o"correto". O "bom" nem sempre é o "correto", assim como o oposto também não opera nos mesmos moldes. O fato de existência de uma norma, que é a representação do "correto", não necessariamete a torna uma dimensão do que é "bom". Ou seja, O "correto" pode querer disfarçar-se de "bom" quando interesses obscuros estão em jogo. O comportamento resignado diante da lei, seja ela qual for, pode nos colocar em situação de impotência, mesmo irrefletidamente, e tendemos, assim, a acatar a legalidade, mesmo desconfortavelmente. Está instaurada a tensão entre a moralidade -- representada pela norma ou tradição -- e a imoralidade -- representada pela alma ou traição: inquietação, vontade do espírito que clama, que urge, que aquece os ouvidos, que instaura a salivação, mexe com os nervos...
Voltamos então ao tema da intuição. Após fazer um comentário com o Daniel sobre a "alma imoral", abri meu e-mail e o que encontrei? Uma resposta da Clarice Niskier a uma mensagem que havia lhe enviado parabenizando-a pelo espetáculo. Mas rapaz, me arrepiei todo! Acabara de ter captado inalambricamente a vibração daquele tema, exatamente no momento em que ela talvez tenha apertado o "enter" de seu computador para enviar a mensagem em resposta. Acho que por isso vale a pena reproduzir aqui o conteúdo de nossas mensagens como homengem à Santa Intuição. Que há de nunca nos abandonar:
Marcus: "Olá Clarice e toda equipe do espetáculo. Quero parabenizá-la por ter tido a capacidade de mobilizar as platéias Brasil afora com temática tão interessante. Confesso que por várias vezes marejei meus olhos tamanha a densidade desse texto, ao ponto de acessar dimensões subjetivas e míticas de nosso estar no mundo. A leitura dos textos sagrados feita pelo Bonder e a performance de sua escrita que você realiza são, em minha modesta opinião, dos mais felizes encontros de nossa dramaturgia teatral contemporânea. Mais uma vez, parabéns! Voltem a Brasília!"
Clarice 12/02/2008: "Oi Marcus. Muito obrigada. O tema da Alma Imoral é um tema muito bonito mesmo, e como voce diz: toca na nossa dimensão mítica. São aquelas "certezas anteriores à razão". Fico muito feliz com seu e mail e tomara mesmo que a gente volte à Brasilia. Foi muito especial fazer a peça aí. Beijos"
Marcus 12/02/2008: "Clarice, esse tema, esse universo do espírito que clama por libertação de amarras, de caixas, de classificações objetivas é realmente um mistério. Veja só, havia acabado de comentar com um amigo aqui do trabalho sobre o seu espetáculo e sobre o livro do Bonder num contexto de discussão sobre o estado de exceção (leis que emperram seus próprios funcionamentos, etc) quando abro a caixa de mensagens e vejo que me respondestes o e-mail que havia lhe enviado. Bem, eu acredito na intuição que talvez seja o momento em que esta alma imoral que nos habita encontra um fiapinho de brecha para se manifestar... e a intuição é algo que acessamos tão pouco porque estamos a maior parte do tempo desligados (ou ligados demais?). Feliz sincronia essa. Grande abraço."
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Foi carnaval debaixo de chuva e cacetetes na capital
Mais um bom assunto para refletirmos sobre fauna e territorialidade nesse espaço brasiliense. No entanto, não falemos mais de pombos, ao menos por agora. Apesar de que, enquanto estou aqui escrevendo (e você lendo), os penosos estão lá, no complexo Complexo Cultural da República, a reproduzirem-se...
Amigos, captei em linea inalambrica, pouquito depois do ocorrido, a notícia estranha de que havia acontecido um "riot", um choque típico daqueles que rolam nas grandes manifestações anti-consumo, anti-repressão, anti-qualquer coisa lá no mundo ultra-pós-civilizado. Estava eu chegando para ajudar a reforçar o bloco do Galinho de Brasília, levando comigo toda a animação que foi possível mobilizar para brincar o carnaval da(ou "na"?) capital, quando ouço o assunto de que a polícia havia descido o cacete na turma poucos minutos antes, na altura das quadras 203/204 sul. Gente, fala sério! Não quero, não posso, não serei neutro (Babe, grato pelo recente toque sobre o estatuto da neutralidade que, se presta, só presta para fazer sabão...). Não dá para ser neutro, no entanto, é possível captar inalambricamente o contexto, as versões e seus desdobramentos para repetir o que sempre costurmo dizer: "ô cidadezinha sem função essa Brasília!", tipo neutra mesmo, num é? O pior é que não é responsabilidade das pessoas não, seja lá de que classe social forem, acho que nem mesmo dos pobres diabos policiais. Isso é responsablidade do traço, da reta, da escala, da ordenação, da lei...todos esses substantivos sem nome nem sobrenome, quiçá, responsabilidade. Como pode, a polícia montada em furgões blindados e armada até os pêlos intervir no espaço público onde as pessoas aglomeram-se para cumprir a sagrada devoção do carnaval? E aqueles adereços? Esprei de pimenta, bala de borracha, lança-chamas, escada magiros, escudos, cacetetes...
Ei, foda-se se estamos na Brasília planejada, urbanizada, centralizada, centro do poder, modelo! É carnaval e como toda festa santa deve ser respeitada pela polícia ou quem quer que seja. "Ah", diria um suposto representante de um dos lados da quizumba, "estavam mijando, trepando, fazendo barulho demais fora do horário permitido ..." E quem disse que carnaval de rua tem hora pra acabar? Que o carnaval espetáculo que envolve profissionais, logística, recursos, etc acabe eu até aceito, mas e o carnaval interno? O desejo subjetivo de êxtase das pessoas sozinhas ou em grupo? Esse não, o cidadão tem o direito de usufruir desta prerrogativa enquanto durar oficialmente a nossa festa mór. Ora, como pode? "Ei povo, já passou da hora de ficarem por aí sorrindo, divertindo, alegrando-se, extravasando...tá na hora de todo mundo voltar direitinho pra casa..." Fala sério... Mas não, o negócio é reprimir, pois carnaval aqui não pode ser, não pode existir. Só há porque no fundo bate uma nostalgia de que no passado foi possível não estar em Brasília e que no futuro, se Deus quiser, será feito o possível para também não ficar por aqui. Mas nessa indecisão e impossibilidade, eis, carnaval em Brasília, presente contínuo. Talvez porque amamos essa cidade complicada e compartilhamos da agonia de seu diversificado carnaval para todos os gostos: em frente a TV, abaixo do teto, em baixo de sol, em baixo de chuva, de baixo d@ outr@, de baixo de cacete...
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